Fui arrancada da minha terra mãe
Sem saber porquê, espancada, amarrada num navio.
Rumo ao desconhecido, fui separada dos meus pais e do meu
povo
Para servir um povo rude, sem dó nem piedade
Onde o trabalho era obrigação e solução
A mercê de chibatadas, diante da desobediência
Felizardos, aqueles cujo os senhores eram de boa fé
Contudo, a falta da liberdade apertava no peito
Muitos fogem, muitos se matam e matam para sobreviver
Nesse mundo onde o negro é visto como uma peça
Uma peça de cor, sem cultura e com um preço
Preço esse atribuído por alguém que nunca vi
Com certeza Deus não é!
Quem se atreveria a julgar as raças?
Um branco bem vestido, numa grande mansão?
Um homem rico, cheio de ouro tirado da minha própria terra
E sabe Deus aonde mais?
Aquele que julga a própria raça e a minha também
Enquanto fico na senzala com a esperança que nunca morre
Com medo de morrer na fuga p’ro quilombo
Fico observando e ouvindo noticias dos meus irmãos
Alguns sobrevivem, outros não
Até que chegue o fim da escravatura
Quem sabe eu, ou talvez meus descendentes
Possam voltar para a minha querida Africa!
Eliane delgado
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